Discursos sobre emoção não são neutros ? são socialmente construídos e imbricados em jogos de poder. Na medida em que o conceito de empatia se torna uma “mística comunicacional” na micropolítica cotidiana, ele também produz desigualdades. A gramática emocional é mobilizada por padrões classificatórios: alguns são considerados merecedores da empatia e afetos correlatos, outros invisibilizados a partir de estereótipos que os empurram para as margens.
Os limites da Empatia: distâncias, diferenças e desigualdades, organizado por João Freire Filho e Júlia Versiani dos Anjos, celebra uma década do “Núcleo de Estudos de Mídia, Emoções e Sociabilidade” (NEMES) que João Freire Filho divide com Tatiane Leal, ambos professores da Escola de Comunicação da UFRJ. A obra conta com oito artigos e reúne 14 pesquisadores, em diferentes fases da trajetória acadêmica. Os textos têm em comum uma refinada reflexão que mescla a busca semântico-filosófica do conceito de empatia com exemplos empíricos coligidos das redes sociais ou de diversas situações e perspectivas: humor discriminatório, idealização do amor materno, conexão afetiva com a IA, discursos de ódio, entre outros. Os artigos mostram como as convocações empáticas são ambíguas, tanto corroboram discursos publicitários, como mudam de sentido quando confrontadas com circunstâncias fora do mainstream.
Trata-se, em síntese, de uma necessária reflexão sobre a indiferença prevalecente em nosso tempo.