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Um Mundo de Descoberta - Livraria da Vila
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Um Mundo de Descoberta

Patricia Golombek

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O livro "Um Mundo de Descoberta" oferece um panorama abrangente e fascinante do século XVI, período de transição entre a Idade Média e a Idade Moderna. A obra entrelaça as Grandes Navegações, a Revolução Científica, o Renascimento cultural e as profundas transformações religiosas e sociais, destacando a centralidade da diáspora judaica na construção de um mundo interligado e globalizado. Com a expansão do Império Otomano e a queda de Constantinopla (1453), o eixo comercial europeu migrou do Mediterrâneo para o Atlântico. Portugal e Espanha lideraram as expedições marítimas em busca de novas rotas para as Índias, culminando na chegada às Américas por Cristóvão Colombo e Pedro Álvares Cabral, e na circum-navegação de Fernão de Magalhães. Essas viagens redefiniram a cartografia, a navegação, a economia e a ciência, introduzindo na Europa especiarias e produtos exóticos americanos como o tabaco, o cacau e o abacaxi. A modernidade emergente foi marcada por uma revolução no pensamento. O teocentrismo medieval deu lugar ao humanismo renascentista, valorizando a razão, o empirismo e a observação direta da natureza. Pensadores como Erasmo de Roterdã e Juan Luis Vives renovaram a ética, a educação e a psicologia. Na astronomia, o modelo geocêntrico ptolemaico foi superado pelo heliocentrismo de Copérnico, comprovado pelas observações telescópicas de Galileo Galilei. A medicina libertou-se dos dogmas tradicionais com o avanço da anatomia e as contribuições de Paracelso e Amatus Lusitanus. A imprensa de Gutenberg acelerou de forma sem precedentes a difusão e circulação do saber. Na religião, a Reforma Protestante iniciada por Martinho Lutero e desdobrada por João Calvino rompeu a hegemonia da Igreja Católica. Como reação, a Contrarreforma e a Inquisição intensificaram a perseguição a heréticos e judeus. Na Península Ibérica, as conversões forçadas e o Decreto de Alhambra (1492) provocaram a dispersão dos sefarditas. A obra ressalta o papel crucial dos judeus como cartógrafos, médicos, financistas e diplomatas. Figuras extraordinárias como Gracia Mendes Nasi, Benvenida Abravanel e Isaac Abravanel estruturaram redes de solidariedade e resgate. No Império Otomano e nas cidades italianas — onde surgiram os primeiros guetos, como em Veneza e Roma —, a cultura judaica manteve-se viva e atuante. Nas artes visuais e na arquitetura, a Itália sob o mecenato dos Médici tornou-se o epicentro criativo. Gênios como Leonardo da Vinci, Michelangelo e Botticelli redefiniram a esté