Sinopse:
Há registros de que no Japão produziam-se doces desde a pré-história. Frutas secas, castanhas e tubérculos cozidos eram utilizados desde os tempos remotos para adoçar a vida nos primórdios da civilização. No entanto, o termo “wagashi”, que designa os doces tradicionalmente japoneses, só foi criado muito tempo depois para fazer distinção dos “yôgashi”, doces com influências ocidentais, que ficaram populares no Japão a partir do século XVI.
Mas, afinal, o que é o yôgashi além de uma adaptação da confeitaria ocidental? Segundo Vivianne Wakuda: “Não foi só uma incorporação das receitas trazidas do Ocidente. Foi, acima de tudo, uma tradução cultural. A técnica europeia se encontrou com a estética japonesa e tudo foi moldado com a sensibilidade gustativa própria dos japoneses.” Algo que o poeta Haroldo de Campos chamaria de “transcriação”. Nesse universo, morangos namoram com pasta de feijão azuki, o matcha bate papo com o chantili, a doçura se transforma em sutileza. Nesse sentido, a confeitaria yôgashi lembra muito os conceitos dos jardins japoneses. Neles, há um entendimento da natureza sob o olhar da estética da contenção. Nada é exagerado, tudo transita no plano da sugestão. É com essa serenidade que os japoneses interpretam a função do açúcar no universo do yôgashi.