Às pessoas leitoras que agora terão a oportunidade de conhecer a pesquisa de tese realizada pelo prof. Antonio Santos, eu digo que irão encontrar um belo e potente trabalho teórico-analítico, de fina e delicada metodologia comprometida em escutar jovens homens do campo/rurais homossexuais sobre suas vivências em seus territórios de circulação cotidiana e grupos de sociabilidade. Para acessar os jovens, o pesquisador elaborou estratégias de divulgação da pesquisa mais conectadas com os meios de comunicação ativo entre eles. O WhatsApp foi uma tecnologia de pesquisa que mobilizou o campo e articulou os tempos do “antes, durante e depois” da construção mais intensa de informações com os participantes. Um cartaz de divulgação da pesquisa nos muros da cidade mobilizou a curiosidade comunitária, a partir do seguinte chamamento: “Se você conhece ou é um estudante do Ensino Médio em Arapiraca, Igaci, Palmeira dos índios e região, é homem gay e mora na zona rural, participe da nossa pesquisa. Sigilo garantido!”. Na tese “MODOS DE VIDA E FORMAS DE RESISTÊNCIA DE JOVENS HOMENS HOMOSSEXUAIS RURAIS NO CONTEXTO ESCOLAR DO SEMIÁRIDO ALAGOANO” vamos encontrar uma pesquisa participativa e artisticamente orientada que implicou os jovens com a produção de conhecimento ativo, poético e situado. O trabalho com o conceito de analética – negação da negação colonial – mobilizou a imaginação emancipatória de um mundo sem violência para todas as populações, para entes e seres com os quais compartilhamos a existência. Em tempos de escalada dos discursos de ódio e violência contra a população sexo-gênero dissidente, este trabalho traz frescor e revigora possibilidades de resistência através da produção de leituras críticas da realidade vivenciada pela juventude em escolas, universidades e grupos de sociabilidade comunitária.
Profª. Drª. Jaileila de Araújo Menezes