A discussão contida na presente obra continua a trazer muitos estímulos intelectuais, posto que multifacetado: o método APAC. Dentre os diversos ângulos possíveis de abordagem, o autor aguça seu senso analítico para a tormentosa questão da adequação – seus limites e possibilidades – entre o “approach” religioso defendido e aplicado pelo método e o princípio constitucional da liberdade religiosa. Não nega – pelo contrário, registra e reconhece – a abordagem humanizada e direcionada à reintegração social proposta pela APAC. Mas, como estudioso perscrutador e minucioso, percebe os perigos que uma metodologia excessivamente centrada em parâmetros religiosos pode ocasionar para o desenvolvimento autônomo de escolha (ou não) de crenças religiosas e da liberdade de consciência. Como faz qualquer pesquisador consciencioso, coloca em evidência as tensões – de resto naturais – entre deveres constitucionalmente endereçados ao Estado Democrático de Direito: proporcionar ao encarcerado caminhos para a sua recuperação, preservando, no entanto, sua autonomia como ser humano.