"O conceito de fetichismo está no núcleo da crítica de Marx ao modo de produção capitalista, na medida em que revela o modo pelo qual os sujeitos representam a realidade e orientam suas práticas sociais. Trata-se de teoria central para a compreensão das formas de objetividade e subjetividade que se estruturam na sociabilidade do capital. No entanto, a análise do fetichismo é marcada por interpretações divergentes, que conduzem a conclusões distintas quanto à natureza da dominação social e, consequentemente, aos caminhos políticos a serem trilhados para superá-la.
Nesse contexto, o livro Fetichismo e Formas Sociais busca, a princípio, estabelecer o sentido contextual do conceito, a fim de afastar leituras vulgares, como, por exemplo, aquela que associa o fetichismo à adoração de objetos de marca. Na sequência, passa-se ao objetivo principal do texto, qual seja, explorar os principais eixos interpretativos da teoria, identificando seus diferentes aproveitamentos e posicionamentos, em especial no que diz respeito à análise das formas sociais, incluindo o Estado e o Direito. São analisadas e comparadas as leituras clássicas, que resgataram a centralidade do fetichismo para a crítica da economia política, bem como as concepções de autores situados no novo marxismo. O livro busca demonstrar que o fetichismo constitui um fenômeno intrínseco às formas sociais e, quando analisado a partir da problemática que estrutura O Capital, pode ser qualificado como uma teoria geral das relações de produção."