Pai, uma antropologia da vergonha é um ensaio autobiográfico que parte da relação da autora com seu pai — nordestino do sertão paraibano, operário da Fiat em Betim, analfabeto, alcoólatra, violento e ao mesmo tempo terno — para construir uma reflexão sobre a vergonha como fenômeno social. A epígrafe a Cícero, primo do pai que "sonhava ser escritor, mas não teve a chance de aprender a ler, nem escrever", anuncia a dimensão coletiva da empreitada: Fabiane Albuquerque busca escrever pelos que não puderam fazê-lo.
Para a autora, a vergonha não é um estado psicológico individual, mas o produto de relações sociais, políticas e culturais bem definidas. O fio condutor do texto é a cadeia de transmissão da humilhação sofrida à humilhação reproduzida.
A articulação de uma base teórica consistente não retira do texto sua forte carga emocional. Afinal, trata-se de um ensaio, mas de um ensaio personalíssimo. É da história de vida da autora, de suas dores, perplexidades e descobertas, que trata este livro.
É impossível ler Pai, uma antropologia da vergonha sem se emocionar.