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O Grito das Bruxas - o Eco da Histeria - Livraria da Vila
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O Grito das Bruxas - o Eco da Histeria

Araceli Albino

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"Este livro não é sobre magia, mas sobre a alquimia do inconsciente que forja a estrutura histérica, investigando suas transformações e as nuances que fazem ressoar seus ecos nas sutilezas da clínica contemporânea. A história da histeria é, antes de tudo, a história de um incômodo. Desde o útero errante da Antiguidade até os divãs da contemporaneidade, a histeria tem se manifestado como um grito — às vezes silencioso, às vezes estridente — que questiona o saber estabelecido e desafia as normas de gênero e de desejo. Esse grito ecoa uma resistência ancestral: se outrora o corpo feminino que escapava ao controle era sentenciado às fogueiras sob o estigma da bruxaria e da possessão demoníaca, mais tarde foi confinado aos manuais de patologia sob o rótulo do ""furor uterino"". Em ambos os momentos, assistimos a uma espécie de caça ao enigmático: uma tentativa do poder — seja ele religioso ou médico — de domesticar um gozo que a razão não consegue capturar. Nossa jornada começa nessas raízes históricas, quando a histeria era vista como um fenômeno do corpo, uma ""maldição"" uterina que justificou, por séculos, a marginalização do feminino. Contudo, é no encontro de Freud com o sofrimento das histéricas que o paradigma se transforma: o grito deixa de ser um sintoma orgânico para se tornar linguagem. Através dos casos emblemáticos de Emmy von N., Dora e do desejo insatisfeito da Bela Açougueira, revisitamos o nascimento da psicanálise, em que o sonho e o lapso se tornam a via régia para o inconsciente. Entretanto, a histeria não permaneceu restrita aos primórdios da psicanálise. Para compreendê-la em sua profundidade, avançamos para a perspectiva de Jacques Lacan, na qual a histeria é concebida como uma posição subjetiva que interroga o mestre e busca, incessantemente, um saber sobre a feminilidade. Este livro, porém, vai além do binarismo tradicional. Dedicamos um espaço fundamental à histeria masculina, desmistificando o preconceito histórico de que esse fenômeno seria exclusivo das mulheres. Ao analisar a ""fascinação mortífera"" e o caso do pintor Christoph Haitzmann, exploramos como o homem também pode ser capturado pelo drama da castração e do Édipo. A obra transita ainda pelo campo das artes e da contemporaneidade. Através da figura de Don Juan DeMarco, discutimos o ""amante dos amantes"" e a errância da carne, descrita por Jean-Pierre Winter (2001), situando a histeria em um mundo marcado por novas formas de gozo e pela fragilidade dos laços sociais. Po