Em A Filosofia Ancestral das Fábulas, Francis Bacon examina os mitos clássicos como expressões simbólicas do pensamento humano. Longe de tratá-los como simples alegorias, ele os interpreta como construções que encerram, sob o véu poético, princípios de moral, política e filosofia natural. Nessa leitura, o mito torna-se instrumento de análise racional — uma chave para compreender as paixões, o exercício do poder e as leis da natureza. Com estilo rigoroso e imaginação disciplinada, Bacon demonstra que a verdadeira herança da Antiguidade não reside apenas nas narrativas que encantam, mas na capacidade de convertê-las em conhecimento, revelando a continuidade entre poesia e razão.