Com uma arquitetura narrativa rigorosa e profundamente evocativa, Os Desaparecidos conduz o leitor por geografias afetivas e físicas que se esfarelam. De uma meia-água em Duque de Caxias prestes a desabar à solidão gelada de uma rodoviária em Curitiba; dos recortes fotográficos da orla carioca nos anos 1980 aos grafites inscritos como cicatrizes nos muros da cidade — cada conto é um inventário sobre a ausência, o silêncio e as ruínas da memória. Nesta estreia engenhosa, Otavio Leonidio trança o amor, a violência cotidiana e o abandono com uma precisão cirúrgica, mostrando que aquilo que desaparece continua a habitar, de forma obsessiva, o espaço entre as palavras.