A Enfermagem de Reabilitação tem centrado a sua perspetiva disciplinar em vários modelos e teorias, consoante o foco de atenção às respostas humanas, decorrentes das diferentes transições, especialmente das que resultam ou agravam situações de incapacidade, dependência, diminuição da capacidade funcional, perda de funcionalidade e de qualidade de vida.
Independentemente da perspetiva disciplinar permeada pelo conhecimento específico da disciplina os profissionais almejam, com a sua intervenção, isoladamente ou integrados em equipas transdisciplinares, melhorar a função, maximizar o potencial funcional e a independência, contribuindo para que estas pessoas mantenham a possibilidade de um ‘Bem-Viver’.
A Teoria de Enfermagem de Reabilitação para o Bem-Viver, apresentada pelas autoras nesta obra de grande valor científico e societal, propõe ‘uma abordagem ampliada do cuidado, que valoriza o contexto, a subjetividade e a singularidade de cada pessoa’. Corroborando esta afirmação e reforçando que a intervenção de enfermagem de reabilitação deve ter como meta criar condições e possibilidades para o Bem-Viver, não posso deixar de notar e valorizar que esta perspetiva teóricofilosófica afasta-nos, definitivamente, do modelo biomédico, centrado na intervenção e execução dos profissionais, relançando a discussão em torno do papel destes especialistas como educadores, advogados e provedores dos direitos, líderes de equipas, dinamizadores dos recursos existentes, participantes ativos na construção de comunidades mais felizes e sustentáveis, ativos na proposta e participação em políticas públicas e na investigação.
É de salutar a preocupação para que esta Teoria de Enfermagem de Reabilitação possa e deva ser, nas palavras das autoras, um ‘instrumento para pensar e refletir uma prática de enfermagem de reabilitação com finalidade a autorrealização das pessoas envolvidas nesse processo, sendo possível pensar nas práticas nos mais diversos ambientes, constituições familiares, sociedades políticas e processos de viver.’
Pelo supracitado e conhecimento pleno do conteúdo deste livro, atrevo-me a afirmar que estamos perante uma mudança paradigmática sobre a representação dos cuidados de enfermagem de reabilitação, com valorização da participação plena do cidadão no processo de reabilitação e reconhecimento da intersubjetividade associada, abrindo uma janela de oportunidades para a reconstrução da pessoa em reabilitação, facilitando ‘a sua participação social através do rec