Em suas peças e narrativas, Samuel Beckett (1906-1989) cifrou como ninguém os impasses da arte após a fase heroica do modernismo. Chamava os próprios escritos — marcados pelo cataclismo da Segunda Guerra Mundial —, de work in regress, pois elaborados “a partir de farrapos de linguagem e restos de erudição”, como nota Fábio de Souza Andrade. “Tentar de novo. Falhar de novo. Falhar melhor”, dito de Pra frente o pior (1983), poderia resumir toda a obra beckettiana.
Neste livro, o crítico enfrenta o paradoxo com agudeza e erudição. Na primeira parte, O silêncio possível, adota a trilogia do pós-guerra Malone morre, Molloy e O Inominável como lugar privilegiado para analisar a trajetória pregressa e a futura de Beckett. A segunda parte, (S)obras (in)completas: beckettiana brasileira, reúne ensaios sobre diferentes aclimatações da obra do escritor irlandês em nosso país, quer por meio de montagens teatrais, quer por recepções críticas ou traduções.