Um bordado. Transitando entre dados e personagens históricos, referências literárias e artísticas e bases conceituais da psicanálise freudiana, Alessandra Affortunati Martins tece um caminho argumentativo singular que se sustenta em um pano de fundo amplo. A partir de dois fios, a autora produz um entrelaçamento argumentativo que faz uso da psicanálise como modo de leitura, fio azul que conduz o texto e, ao mesmo tempo, em seu avesso, realiza uma leitura crítica da teoria psicanalítica, fio vermelho que permite colocar em questão algumas derivas clínicas. Nessa direção, apresenta um texto denso e coeso – um bordado com belas imagens –, que não perde sua verve crítica. A sublimação é, então, apresentada como reveladora e conciliadora da ordem instituída do mundo e como possibilidade de destruição do existente para que advenha uma criação. Caminho semelhante parece se mostrar na relação entre psicanálise e lógica patriarcal: emergindo desse solo, a psicanálise produz um mapa que revela as fraturas de seu tempo e que nos serve de guia para, talvez, construir outras possibilidades políticas e clínicas. Suely Aires