Um romance original sobre as relações sociais no Brasil
Apresentação, cronologia e notas de Luiz Carlos dos Santos
“De Gonzaga de Sá, vou contar-lhes as suas coisas íntimas e dizer-lhes, antes de tudo, como morreu, para fazer bem ressaltar certos trechos e particulares que serão mais tarde contados, de sua bela obscuridade. Narremos os fatos.”
Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá, publicado em 1919 e obra da maturidade de Lima Barreto (1881-1922), é um dos textos mais importantes do autor. Ao mesmo tempo, trata-se de um dos livros menos compreendidos e estudados desse ficcionista que, como nenhum outro, retratou a iniquidade das relações étnico-sociais no Brasil.
O narrador-personagem é Augusto Machado, funcionário público que trava conhecimento com M. J. Gonzaga de Sá – também funcionário público, da ficcional Secretaria dos Cultos, e descendente de portugueses fundadores do Rio de Janeiro. Machado decide contar a vida deste solteirão erudito, com quem, por diversas vezes, percorre bairros da então capital federal – inclusive a periferia – observando o cotidiano e a vida das pessoas.
O que Lima Barreto faz é destrinchar de forma mordaz as relações sociais na capital da jovem República, retratando áreas suburbanas e periféricas que não são espaços de poder e nem tampouco eram considerados cenários literários. Um romance revelador para se pensar o peso do eurocentrismo, do elitismo e do clientelismo na formação do país.