Um terço da humanidade passa a ouvir um zumbido — e ninguém sabe explicar por quê. Mark, estadunidense, e Rosana, brasileira, são pesquisadores em comitês de investigação na cidade de Ressaquinha, Minas Gerais, onde o fenômeno é percebido com mais intensidade.
Num cenário improvável e absorvidos pelo vórtex do delírio — eles também ouvem o zumbido —, os dois cedem a uma paixão, no mínimo, imprópria, já que pertencem a comitês rivais: ele, ao do Norte Global; ela, ao do Sul.
Entre desejo e desorientação, Zumbido coloca em choque uma multiplicidade de discursos e teorias que tentam dar conta do mundo e, quem sabe, daquele fenômeno. Mineração, geoengenharia, crise climática, abismos sociais e um casal apaixonado com senso de ridículo. Sem heróis nem respostas definitivas, Vinícius Portella escreve um romance extremamente contemporâneo — e no limite do ensurdecedor.