Uma graphic novel monumental sobre uma criança em meio a traumas e sonhos
O jovem Oskar Ed está entediado no banco de trás do carro. Seus pais discutem, a viagem está demorando demais, e ele nem sequer sabe para onde estão indo. A fim de evitar ouvir as discussões intermináveis dos pais, Oskar refugia-se em seu próprio universo, no qual a realidade é transformada e distorcida de maneiras fantásticas. No entanto, tudo o que acontece em seu mundo imaginário tem origem e paralelos no mundo real.
Oskar Ed, de Branko Jelinek, é uma ambiciosa graphic novel que ilustra vividamente a maneira como uma criança percebe e processa desentendimentos familiares e demonstra como traumas e sonhos podem ter muito em comum. O quadrinho nos cativa imediatamente com seu preciso e elegante traço em preto e branco e seu sombreado meticuloso. À medida que nos aprofundamos na história, somos atraídos pela arte refinada e pelo ritmo arrebatador da narrativa visual.
Uma obra monumental, com uma escrita íntima e sombria, Oskar Ed se desenrola em vários níveis temporais e espirituais. Acompanhamos uma viagem por um mundo monstruoso e hostil, narrada com inteligência e fluidez. Nos sentamos ao lado do jovem protagonista no banco traseiro de um carro com a lataria amassada, sentimos o cheiro do cigarro do pai e o perfume da mãe, e testemunhamos em silêncio uma situação cada vez mais perturbadora.
Traduzida diretamente do original em tcheco, a obra dialoga e remete a autores como Franz Kafka e H.P. Lovecraft, e cineastas como David Lynch e David Cronenberg. Publicado pela primeira vez no Brasil, Jelinek trabalhou no livro por cerca de dez anos, e seus esforços foram recompensados com o grande prêmio no Festival Internacional de Quadrinhos e Games da Polônia e o prêmio Muriel Awards nas categorias Melhor Livro Original e Melhor Roteiro Original.
Com uma força metafórica impressionante, Oskar Ed é, em sua essência, uma história pessoal e íntima que oculta algo profundo sob uma realidade fragmentada da mente ultrassensível e atormentada de uma criança. Oskar passa a compreender segredos familiares esquecidos e uma verdade devastadora aos poucos se desvela. Para onde, afinal, o seu pai nos leva com tanta obstinação?