“Ali, meio escondida por entre choros inesperados e silêncios vagos, havia uma coisa ainda indecifrável para a menina, porém ela sentia uma espécie de comichão surgindo bem lá no fundo mais fundo dela.” (p. 27)
Ana e as palavras, de Carlos Henrique dos Santos, é um livro que toca os lugares mais fundos em nós, leitores, o coração e o olhar, nossas delicadezas.
Ana busca aprender as palavras para decifrar sentimentos que não conhecera ainda. No seu íntimo, aprender as palavras que estão no mundo é prosseguir, é ser a Ana plena que crescia e se interessava por tudo, por todos, e que também se apropriava de palavras novas e outras nem tanto, dando corpo e altura à imaginação sem fim.
Afinal, estamos no infinito de um tempo: a infância. Ana e as palavras é um livro sensível, porque onde há desejo de busca, há certa leveza.
Ana sorri enquanto decifra os tantos segredos que a vida traz para a sua existência.
Iza Quelhas
Professora de Literatura Brasileira, aposentada recentemente, ainda aprendendo a lidar com o tempo dos segredos das palavras – as ditas e aquelas por dizer