Na Grécia Antiga, entendia-se que o tempo não era apenas Chronos, a sucessão progressiva dos acontecimentos, mas também kairós, o tempo propício, denso de sentido, que não se mede com a cronologia tradicional, mas com a intensidade da experiência. É o tempo da escuta, da revelação e da transformação.
Essa visão cíclica do tempo pode ser aplicada também na experiência estética e simbólica que temos durante as leituras de obras literárias. Quando lemos, não nos aproximamos do texto como folhas em branco. Somos portadores de imagens psíquicas, simbólicas, afetivas e memoriais. Este imaginário é tecido com nossas vivências, as culturas e a imaginação. Munidos desse universo, o nosso imaginário se amplia, desorganiza estruturas, ressignifica antigas crenças... O leitor nunca sai “ileso”.
Nesta obra, os Ciclos do Imaginário com a Literatura – CIL possuem o intento de favorecer esse movimento cíclico da leitura, no qual cada retorno ao texto é também um retorno ao leitor, mais sensível, mais imaginativo, mais aberto às experiências de si e do outro. Tal noção apresenta-se como uma possibilidade metodológica que pretende auxiliar o processo de leitura literária em sala de aula, ao propor o acolhimento e a validação do repertório simbólico dos estudantes no encontro com as obras literárias.