Em O direito de mutilar, Jasbir K. Puar aprofunda sua análise sobre biopolítica e violência de Estado, argumentando que regimes
contemporâneos não apenas matam, mas produzem deliberadamente corpos debilitados como forma de controle populacional. A autora propõe que a debilidade ocupa um lugar estratégico entre capacidade e deficiência, funcionando como tecnologia de governo em contextos raciais, coloniais e neoliberais.
No coração do livro está o deslocamento de um binarismo comum: não se trata apenas de opor “corpos deficientes” e “corpos não
deficientes”, mas de compreender como cada corpo é continuamente posicionado dentro de um espectro de capacidade, debilidade e deficiência — distribuído de maneira racializada, colonial e econômica
A partir de casos como Ferguson e Gaza, Puar descreve como políticas de segurança, repressão policial e ocupação militar operam através do que ela chama de “direito de mutilar” — manter populações vivas, porém feridas e limitadas. O livro articula teoria crítica, estudos da deficiência e análise geopolítica para revelar como Estados administram vidas atravessadas por violência lenta, precarização e vigilância.
Com capítulos sobre transgeneridade, nacionalismos, colonialismo e a economia política da debilidade, O direito de mutilar tornou-se uma referência essencial para debates sobre violência estatal, saúde pública, desigualdade e direitos humanos.