Por que crianças são abandonadas à própria sorte recém-nascidas, quando ainda nem aprenderam a respirar o mundo, nem possuem forças para pedir socorro?
Que tempestades íntimas atravessam o coração de uma mãe a ponto de fazê-la afastar-se de um ser tão indefeso, como se aquela vida não existisse, como se não fosse carne de sua carne e, sobretudo, espírito diante de Deus?
Como compreender um gesto tão extremo, quando a criança nada sabe sobre a vida, nada entende sobre as dores humanas e não dispõe sequer do mínimo para sobreviver?
À primeira vista, o abandono parece apenas crueldade. No entanto, quando olhamos com mais profundidade, percebemos que a realidade humana é complexa e, muitas vezes, marcada por misérias visíveis e invisíveis.
Há mães que abandonam por desamor, sim, mas há também aquelas que o fazem por desespero, por medo, por ignorância, por falta de apoio, por adoecimento emocional, por violência sofrida, por miséria material ou por solidão absoluta. Ainda assim, nenhuma dor justifica a dor imposta ao inocente.
O Espiritismo nos convida a compreender sem compactuar, a enxergar sem condenar cegamente e a agir para transformar. É nesse ponto que surge uma pergunta ainda mais profunda: há causas espirituais no abandono do incapaz?
Muitas vezes, o que chamamos de tragédia na Terra é, na verdade, um capítulo doloroso de uma história maior, na qual consciências se reencontram para aprender, resgatar, reconciliar-se ou construir novos caminhos.
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Osmar Barbosa.