Não deixe este livro faltar à sua biblioteca. Mais que uma leitura prazerosa e profusamente informativa, que nos abre janelas originais para o que se discutiu no Brasil desde a virada do século, ele serve (e servirá por uns bons anos) como obra de consulta. Nestas páginas, Oscar Pilagallo trata de nada menos que 1.126 nomes de gente que dedicou a vida à política, à educação, à imprensa, à diplomacia, à música, à escrita e mais ao que você possa imaginar – e ele sempre nos conta algo de novo.
Muitos dos 99 textos aqui reunidos são resenhas que nos apresentam (ou nos recuperam) ensaios, biografias, reportagens, poesia, relatos históricos, filosofia, romances e outros tantos gêneros. Trata-se de um painel vivo e vibrante das mentalidades e dos imaginários que se cruzam na ebulição cultural do Brasil.
E vale por dois. Vestígios de um país vale como uma retrospectiva fértil e substantiva dos humores e das ideias da nação, que pode (e deve) ser lida na sequência dos capítulos, muito bem-organizados, e vale também como breve enciclopédia sobre quem pensou o quê e como. Você vai ao índice onomástico e parte direto para o capítulo que interessa. A leitura é compensadora por um caminho ou por outro.
Oscar Pilagallo conseguiu um feito e tanto. Reuniu quase uma centena de artigos e resenhas que já tinham sido publicadas em jornais ou revistas e, com alguns poucos ajustes, deu a esse material um fio condutor único, sem desvios ou quebras. Chega a ser inacreditável. Por vezes, tive a sensação de que, quando ele redigia uma colaboração para o Valor Econômico ou para a Folha de S.Paulo, isso há quinze ou vinte anos, já tinha na cabeça o projeto deste volume, tal a unidade estilística e temática que amarra todos os parágrafos. Sua visão autoral das culturas nacionais resiste ao tempo, intacta.
A regra é conhecida e válida: não se recomenda a jornalistas que reúnam sua produção em coletâneas. Este livro é uma exceção, luminosa, que confirma a regra. Aqui, textos com duas décadas de defasagem, republicados, voltam a transpirar atualidade e vitalidade. E, agora, com novas perspectivas. Lê-los de novo, ou pela primeira vez, é um gosto.
EUGÊNIO BUCCI