Há vidas que não aparecem nos livros de história, mas que, discretamente, sustentam a realidade fora deles.
Eunice Ferreira nasceu em 1936, no interior de Goiás,
perdeu os pais cedo e partiu sozinha para São Paulo
em busca de um lugar no mundo. Tornou-se auxiliar
de enfermagem e, nas maternidades precárias por
onde passou, descobriu que cuidar vai muito além
da técnica: é também denunciar o que está errado,
defender quem não tem voz e insistir na dignidade
quando tudo parece conspirar contra.
Eunice conta sua história com franqueza e sem rancor
— as perdas, as injustiças e os pequenos gestos
que, somados ao longo de décadas, fizeram e fazem
diferença na vida de muita gente.
Eu não me calei é uma tentativa de reconhecer o valor
das pequenas coisas. De uma caminhada que pode parecer silenciosa, mas que, aos poucos, deixou marcas.