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Instruções para Arquitetos: Poemas-Conversa - Livraria da Vila
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Instruções para Arquitetos: Poemas-Conversa

Ana Elisa Ribeiro

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Na enorme casa de minha avó havia um quartinho chamado “de costuras”. Saltávamos hall 1, hall 2, sala, copa, e lá nos apinhávamos mulheres-avós-filhas-netas, não para costurar e ainda não para formar uma legião: conversávamos. Neta, ansiava por uma Flávia, correspondente; avó, ganho, ganhamos mais uma Ana. O que Ana nos oferece neste livro a portas abertas (que vão se fechando cuidadosamente atrás de nós) é a conversa de uma casa (ouvimos passos), em sua dimensão também de fábrica, algo que estava na arquitetura antes da indústria, quando nem tempos nem espaços se separavam. Como esta Ana, queremos, doutro modo mas já, essa não-separação: vidas inteiras, dias, horas em palavras, “galões robustos de flamingo, oceano, frevo, castor e alecrim”, sentidos como “jabuticabas”. Instruam-se arquitetos desta vez, como de outra se instruíram urbanistas _ e pela mesma Renascença. Pode uma cor raptar a manhã, uma noite tilintar lá fora, o azul profundo de uma cortina criar a coisa e a palavra estúdio, uma parede conter ss em suas entranhas: uma casa (um livro), uma não-ilha-desértica, posto que a partir dela (dele) é que chamamos o ausente. Do primeiro ao último umbral, somamo-nos flávias, chamadas a ouvir vendo cheirando tateando palmilhando (lendo) o que vai dentro de uma ana casa: sua fábrica incessante, suas pé ante pé indagações, suas firmadas verdades. E de tal modo (no modo literatura-literatura), que finalmente podemos ficar em silêncio, finalmente em legião. Estamos conversadas, definitiva, anaelisaribeiramente poetizadas. Alícia Duarte Penna Poeta e professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC Minas