Em Dias de vinho e de chumbo, perplexidade e curiosidade se apossam de Roberto no início da trama, tão logo ele descerra o lenço que protege Martha das bombas de lacrimogênio. Uma menina de rendez-vous com quem passara uma noite na casa de um amigo, perseguida por um policial na invasão da faculdade onde os dois estudam? Foi a indagação que Roberto fez a si próprio. O tempo, o amor se intensificando, os planos incompatíveis, ela, inconformada, se envolvendo mais e mais com o movimento estudantil. Ele, indeciso, passivo, ir pra Paris, o sonho, os ciúmes: “só você de mulher no DA.no meio daquela homaiada até de madrugada?” – lhe jogou na cara, num dia em que ela não foi ao seu encontro. De amor e sobressaltos foram rompendo entre sirenes, cassetetes e bombas de lacrimogênio. Martha, obstinada, idealista, teria contribuído para que o seu país se tornasse mais livre e justo? Roberto convenceu-a a largar tudo e ir pra Paris com ele? O amor não sucumbiu à fúria dos anos sessenta. Martha e Roberto ainda permanecem entre nós.