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Outra Gravidez É Possível: Feminismo contra a Família - Livraria da Vila
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Outra Gravidez É Possível: Feminismo contra a Família

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O título original deste livro, Full Surrogacy Now, debocha de Stop Surrogacy Now, nome de um dos movimentos mais influentes contra a prática da barriga de aluguel. Contudo, é um equívoco acreditar que, nestas páginas, Sophie Lewis se dedica meramente a conclamar a “barriga de aluguel para todo mundo já!”. Mais do que tomar partido sobre um tema que divide tendências inconciliáveis do feminismo, a autora realiza uma complexa discussão sobre a gravidez. Seria a gestação um trabalho e as gestantes, trabalhadoras? O vínculo entre gestante e bebê supõe obrigatoriamente maternidade? Ou seria essa relação uma construção social? Para abordar tais questões, Lewis analisa a indústria da barriga de aluguel, sobretudo na Índia, onde se reveste de alternativa de vida a mulheres pobres, enquanto enriquece empresários e resolve a infertilidade de casais no Norte Global. Colonialismo, racismo e luta de classes também se expressam no útero. Outra gravidez é possível é uma obra potente, honesta e brutal que chega em um momento muito oportuno para nós brasileiros, tendo em vista a profusão de informações falsas sobre esse tipo de gestação disponíveis em artigos na internet, portais de notícias e mídias sociais. Entre argumentos rasos e simplistas que buscam respostas rápidas para fenômenos extremamente complexos, Sophie Lewis faz exatamente o oposto: ela abraça o caos, convidando-nos a nadar nesse tanque mágico de líquido amniótico em que fetos e gestantes lutam para sobreviver, como os monstros da ficção científica. Hospedeiro e parasita, gestante e gestado. Nessa realidade ciborgue, não são mais apenas dois contribuintes de material genético dando origem a um embrião por meio de relações sexuais, mas sim sujeitos plurais: pais intencionais, médicos, doadores de gametas e gestantes substitutas, isso apenas para citar os potenciais participantes humanos. Há ainda a tecnologia que permite a cisão — e, por que não, a terceirização — desse processo. A autoria de uma criança é sempre coautoria, considerando que trazer um bebê ao mundo é um trabalho coletivo. […] Apesar dos riscos e da baixa remuneração, Lewis acertadamente frisa como gestantes remuneradas não pedem que as socorram. São, acima de tudo, trabalhadoras que merecem nosso respeito, embora não o tenham de uma parcela considerável da sociedade. Para a autora, ser contra ou a favor da barriga de aluguel é irrelevante. Dessa forma, a questão é: por que devemos ser mais contra esse trabalho específico do que contra o