Com a graça e fluidez de quem tem o pleno domínio sobre a palavra, Ana Paula Tavares, vencedora do Prêmio Camões de Literatura, oferece-nos uma leitura que é, simultaneamente, enlevada e poética.
Num minuto, lança-nos um olhar decolonial sobre as máculas da guerra civil angolana e, no seguinte, deleita-nos com crônicas em que poetiza em prosa o trabalho com o barro e a escolha da melhor farinha para o preparo do funge.
Com argúcia, põe-nos a questionar o que perdemos quando deixamos nossos lugares de origem e, em cada crônica, venera a sabedoria dos mais-velhos — esteios que preservam a tradição de todo um povo.