Poeta experiente, Celso explora diversas possibilidades sonoras e técnicas para desalojar o leitor e trazê-lo “à flor da pele”. São repetições, alterações sintáticas, perturbações do ritmo, divisão aleatória das palavras nos versos, tudo o que desfaz e destrói nossas zonas de conforto. As formas tradicionais, como o soneto, embora raras, surgem com a função de revolucionar os usos; assim como as frases e ditos populares que estão sempre a ressignificar-se, ao mesmo tempo em que transmitem ao leitor uma sensação de simplicidade e empatia. Mas o poeta não está brincando: ele busca associar ideologia e poesia. Ele conhece muitos poetas, pensadores, escritores, seus irmãos. Pobreza, miséria, injustiça, morte, guerras, holocausto não são matéria vã. A palavra, a imagem e a coisa ali estão na repetição sonora, na alusão às cores, aos sons, à morte e à dor. Celso transita do fato para o texto, da palavra falada e do som para o poema, ele busca alcançar a dicção do rechaço, de um carinho, o milagre da melodia. Ele vê, ouve, sente, transfere. E escreve. Porque, “sem escrita, a vida é um grito.”