A direita à direita da direita veio para ficar — e não é uma só, mas várias. Há denominadores comuns, como a forma peculiar de fazer política, em que a aniquilação substitui a negociação. E há também diferenças, respostas específicas aos contextos dos países em que essas ultradireitas atuam. Se, na Europa e nos Estados Unidos, o discurso que galvaniza é o que opõe o cidadão ao imigrante, na América do Sul o papel do "Outro" é atribuído ao bandido. Solo e sangue lá, lei e ordem aqui. Ao oferecer uma taxonomia precisa dos movimentos antidemocráticos de direita que hoje ameaçam as democracias ocidentais, João Gabriel de Lima nos ajuda a compreender a nova geografia política na qual teremos de nos mover daqui em diante.
João Moreira Salles