amorte chama semhora é um experimento de linguagem cujo pecado, e a delícia, nascem do mesmo lugar - o excesso: de trocadilhos, ritmos e polissemias ocultas em anagramas, de heresias carnais cifradas em inocentes versos de amor. Sua maior heresia, contudo, é levar o gesto antropofágico - e, portanto, canibal - não apenas para dentro do poema, mas para o estômago da palavra. Palavra comendo palavra. Devorando significados. Digerindo a si mesma. Por trás desse laboratório radical de poesia - afinal, apenas por excesso se cria, por exuberância, nem que seja excesso de dor, exuberância de raiva, de náusea e de alegria - essa obra explora os dilemas do corpo, as dialéticas do sexo, a potência lasciva e revolucionária do desejo, e suas contradições.