A Lei 15.358/26, batizada “Lei Raul Jungmann”, é estudada pelos autores com seriedade e agudeza. A obra explora cada um dos artigos, seus parágrafos e incisos, desenhando panorama material e atuação da jurisprudência defronte à lamentável situação vivenciada pelo Brasil frente à verdadeira hegemonia das organizações que dominam frações do território nacional, inclusive com referência a outros países, e enfrenta temas importantes como a criação de dois novos tipos penais, conceituando facção criminosa, mecanismos de asfixia financeira, regime disciplinar mais rígido, segregação em presídio federal, perdimento extraordinário, além do controverso deslocamento da competência para julgamento dos crimes de homicídio, todos de atualíssima problematização, sem esquecer os dilemas institucionais e sociais que desafiam a efetividade da norma. E fazendo-o, oferece ao leitor não apenas respostas, mas também provocações intelectuais instigantes.
Temos aqui uma obra que, vindo em oportuna hora, se destina a todos os operadores do Direito: juízes, promotores, defensores, advogados e estudantes, seja como um guia seguro na prática forense, seja como fonte de inspiração acadêmica e reflexão social e jurídica. Em qualquer caso, cumpre papel essencial e reafirma que a Lei Antifacção Comentada, sem embargo de confrontar-se com vetusta legislação, não é mero apêndice do direito penal processual mas etapa decisiva na concretização da justiça.
Ivana David, Desembargadora