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Cárcere - Livraria da Vila

Cárcere

Maria de Fátima Belancieri, Vilma Rodrigues, Vagner Clemente

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Há prisões que não têm grades. Há silêncios que pesam mais do que gritos. Cárcere é o retrato de mulheres que, mesmo cercadas por riqueza, família e aparente perfeição, vivem aprisionadas em ciclos de opressão, controle e insatisfação. Inspirado em história real, o espetáculo transforma dor em poesia, denúncia em acolhimento, resistência em cena. Neste livro, o leitor é convidado a atravessar não apenas a dramaturgia, mas também o processo criativo, os bastidores, a recepção do público e os diálogos que nasceram após a queda do pano. Mais do que um registro teatral, Cárcere é um convite: olhar para dentro, reconhecer as correntes invisíveis e, quem sabe, encontrar as chaves para a liberdade. Aba Cárcere não é apenas uma peça. É um gesto político, uma travessia estética, um chamado à escuta. Protagonizado por duas mulheres negras, o espetáculo nasce da urgência de narrar experiências silenciadas por séculos: violências simbólicas, afetivas e estruturais que marcam a vida de tantas mulheres brasileiras. Em cena, um “monólogo a duas vozes” entrelaça ancestralidade e contemporaneidade, dor e resistência, denúncia e acolhimento. A dramaturgia revela que, por trás de fachadas de perfeição – riqueza, beleza, status, família ideal –, muitas vezes habita a solidão, a perda de identidade, o controle sufocante e a busca desesperada por liberdade emocional. O livro que o leitor tem em mãos vai além do roteiro. Ele revela o processo criativo, os caminhos da encenação, as escolhas estéticas, os silêncios transformados em palavra. Expõe ainda a força coletiva de mulheres artistas, psicóloga, musicistas e coletivo de ativistas que deram vida a um projeto de corpo inteiro, idealizado por Vilma Rodrigues, atriz, dramaturga, mulher negra e periférica, sob a direção de Vagner Clemente. Entre música, teatro e exposição de artes com lideranças femininas, Cárcere se faz experiência expandida: a arte que resiste, a memória que denuncia, a cena que continua quando as luzes se apagam. Ler este livro é aceitar um convite: deixar-se atravessar por vozes que não podem mais ser silenciadas.