Além do Vale do Silício investiga a ascensão da Inteligência Artificial (IA) não apenas como uma inovação técnica, mas como um campo central de disputa geopolítica e econômica no século XXI. A obra critica a visão hegemônica que naturaliza o modelo de negócios do Vale do Silício, argumentando que a tecnologia carrega valores e prioridades políticas que podem aprofundar as desigualdades globais e a subordinação dos países do Sul Global. Ao analisar a trajetória da China, Jeff Xiong demonstra como o planejamento estatal e a estratégia “IA+” integram a tecnologia à economia real, da agricultura inteligente ao monitoramento anticorrupção.
O autor apresenta casos práticos, como o do condado de Rongjiang, para mostrar como ferramentas de IA podem ser apropriadas na base para fortalecer a comunicação comunitária e a eficiência governamental. Em última análise, a obra é um chamado à construção da soberania tecnológica. Ela sugere que é possível trilhar caminhos próprios, menos colonizados, onde a IA sirva como um bem público internacional e uma ferramenta de emancipação humana, em vez de um instrumento de vigilância em massa ou concentração privada de poder.
“A questão decisiva não é apenas quem inventa ou domina determinada tecnologia, mas quem controla a infraestrutura digital, quem organiza os fluxos de dados, quem define os padrões técnicos, quem captura os ganhos de produtividade e quem estabelece as finalidades sociais da inovação.”
– Prefácio, Marcio Pochmann
“Entregar o controle de dados e IA para empresas estadunidenses é como historicamente entregar o controle de recursos naturais e infraestrutura a colonizadores.”
– Artigo “Snowden denuncia a arapuca do ChatGPT”, Jeff Xiong
“A IA não precisa servir apenas ao Norte Global e à burguesia – os povos do Sul Global podem igualmente se beneficiar desse avanço tecnológico, e talvez se beneficiar ainda mais, porque historicamente sofreram mais com as desigualdades de informação e comunicação.”
– Apresentação, Jeff Xiong