De segunda a sábado,

Das 09h às 17h,

Exceto Feriados.

Heládio, o Bengalante - Livraria da Vila
LivrosNão FicçãoBiografiaHeládio, o Bengalante

Heládio, o Bengalante

Avise-me
Para ser avisado da disponibilidade deste Produto, basta preencher os campos abaixo. Ou entre em contato pelo WhatsApp (11) 99539-0321 para consultar estoque das lojas físicas

Este produto não está disponível no momento
Quero saber quando estiver disponível
Numa barbearia de Amparo, interior de São Paulo, Heládio Leme começou a entender o mundo, sob a influência de velhos comunistas do PCB. O golpe de 1964 o surpreendeu. Na Marcha da Família com Deus pela Liberdade, com tristeza profunda, reconheceu o pai e a mãe entre os manifestantes. Resolveu seguir para São Paulo, onde amadureceu a consciência de esquerda. Militou na Ação Popular (AP) até cair preso. Conheceu a sucursal do inferno na OBAN e no DEOPS, com torturas inimagináveis. Solto, recolheu-se em casa de familiares para pensar as feridas. Rumou então à Bahia e recusou a proposta do PCdoB de exílio no Chile, às vésperas do golpe de 1973. Em Salvador, viveu com a companheira uma semiclandestinidade que se prolongou até a anistia, em 1979. Sustentou-se como contador em hospitais psiquiátricos. Entre 1980 e 1982, militou como assessor de parlamentar do PMDB. Voltou a São Paulo. Seguiu militante, intelectual público autêntico, professor, defensor intransigente dos direitos humanos, inimigo das ditaduras, amante da liberdade e da democracia. Economista, esmerava-se nas análises de conjuntura: recusava simplismos, abominava sectarismo, preferia atuar politicamente sem vinculação orgânica a partidos. Nunca, contudo, deixou de ter lado. Sempre o dos ideais democráticos e socialistas. A doença de Parkinson o alcançou. Enquanto teve forças, deu palestras sobre a enfermidade e mostrou que ela não escolhe apenas os mais velhos. Ateu desde muito jovem, formado no convívio precoce com o PCB, encarou o fim com serenidade, mesmo sob os efeitos agressivos da doença. Driblou o mal o quanto pôde. Escreveu, ironizou a própria situação, recusou a vitimização.