Aprender a falar é de uma natureza diferente de aprender a ler e a escrever. Enquanto a primeira é natural, pois o ser humano nasce equipado para falar, aprender a ler e a escrever são artificiais. Para essas aprendizagens, o cérebro coloca em ação estruturas neurais adaptadas para outras funções, em um processo designado por regeneração neural. Porque o cérebro não nasce pronto para ler e escrever, ninguém aprende a ler sozinho, pois essa é uma aprendizagem que em geral exige contextos formais de ensino. Para se tornar uma aprendizagem efetiva, o ensino deve ser direto, estruturado e ter em atenção características neuroanatômicas, cognitivas e linguísticas do aluno em alfabetização. A desconsideração dessas características resulta em uma porcentagem elevada de estudantes com dificuldades na leitura no final do Ensino Básico. A hegemonia de um método equivocado nas salas de alfabetização brasileiras é a explicação mais consensual entre os especialistas que seguem os critérios de uma alfabetização baseada em evidências. As pesquisas que sustentam processos efetivos de alfabetização esclarecem que aprender a ler e a escrever exige, em simultâneo, a ocorrência de dois processos: reconhecer letras e palavras e compreender o que se lê. Para processos bem-sucedidos de alfabetização devem ser estabelecidas metas de aprendizagem difíceis, mas concretizáveis, que auxiliem pais, professores e gestores a entenderem se esses processos são ou não efetivos.