Soberania gramatical: filosofia na periferia
Este livro nasce de um lugar específico e não pretende esconder sua origem. Ele é escrito a partir da periferia da periferia: do Nordeste brasileiro, de Recife, de um contexto marcado por desigualdades históricas, violência estrutural e urgência política. Fazer filosofia a partir daqui é um desafio real, material e cotidiano. No entanto, é justamente desse solo que emerge nossa força. É desse lugar que deve florescer uma filosofia de base popular, emancipatória, anticapitalista e anticolonial, comprometida não apenas com a interpretação teórica, mas com a abertura de caminhos práticos para transformar o mundo.
Programa filosófico
As ideias reunidas neste opúsculo amadureceram ao longo de anos de debate coletivo no Grupo NormAtiva – Recife, sediado na Universidade Federal de Pernambuco. Com o apoio de instituições como CNPq, CAPES, FACEPE e Humboldt Stiftung, consolidamos um programa politicamente situado e teoricamente integrado.
Trata-se de um projeto periférico comum, sustentado por uma concepção normativa da linguagem e pela compreensão do significado como um campo de disputa social. Este trabalho se sustenta em três pilares fundamentais:
Base Neopragmatista: Significado baseado no uso.
Natureza Pública: Práticas históricas e normativas.
Infraestrutura Ativa: Linguagem como organização de poder.
Disputa gramatical
O fio condutor desta obra é a recusa simultânea do referencialismo, do representacionalismo e do mentalismo. Afinal, o que significa “significado”? Defendemos que ele não está “lá fora”, no mundo, nem “aqui dentro”, na mente. Pelo contrário, o sentido se institui publicamente em práticas concretas, inferenciais e afetivas.
Nesse sentido, a linguagem deixa de ser um mero espelho da realidade para se tornar uma ferramenta de resistência. Disputar a linguagem é disputar a gramática — e disputar a gramática é, fundamentalmente, disputar o próprio mundo.
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