Curva de Rio Sujo, de Joca Reiners Terron, mergulha nas zonas turvas da memória, “entre interiorano e urbano, entre realista e estranho”, como afirma o próprio autor em texto inédito para esta edição. Inspirado pelo provérbio matogrossense “curva de rio sujo só junta tranqueira”, o livro constrói uma narrativa fragmentária e inquieta, na qual o movimento é constante.
Tendo como cenário as cidades em que o autor viveu — seu “mapa da infância” —, a obra evoca aquilo que é “mais realista que a própria realidade”, como pressente um dos personagens. “Recebemos nestas ficções algo do olhar daquele menino que, mesmo ingênuo, é impuro, como todos somos impuros. E vemos Curva de Rio Sujo nos seus segredos menores, revirando, com curiosidade insensata, tudo o que encalha nas margens”, observa a jornalista e escritora Paulliny Tort.
Republicado pouco mais de duas décadas após sua primeira edição, o livro retorna acrescido de um posfácio da pesquisadora Regina Dalcastagnè e revisto pelo próprio autor, com novas narrativas, supressões e sutis deslocamentos. Esta reedição reafirma um dos pontos altos da produção inicial de Joca Reiners Terron, nome fundamental da ficção brasileira contemporânea.