De 1886, ano em que a fixação biológica de nitrogênio (FBN) foi descoberta pelos alemães Hellriegel e Wilfarth, até hoje, numa jornada de mais de um século, o mercado mundial de FBN cresceu mais de dois bilhões de dólares (cerca de 13 bilhões de reais). Contudo, os cientistas continuam a decifrar este processo. Para quê? Talvez antevendo o caos ambiental que nos traria o modo de produção baseado em combustíveis fósseis, como o fabrico e a aplicação dos fertilizantes nitrogenados sintéticos.
Aliás, quem não se lembra das manchetes dos principais jornais do mundo e dos apelos das redes sociais, no último ano (2020), sobre queimadas e mudanças climáticas? Por isso Fixação Biológica de Nitrogênio, de Carlos Vergara e Karla Araujo, chega como um livro fundamental: porque explica, em tópicos ágeis e breves, como a maquinaria molecular, bioquímica e fisiológica da FBN, ao contrário da indústria de fertilizantes, produz a amônia, base para a elaboração de outros fertilizantes nitrogenados, sem poluir o meio ambiente.
Com uma vasta pesquisa, neste livro, os autores estabelecem uma comparação entre a simbiose do nódulo actinorrízico e a do nódulo da leguminosa. Do diálogo molecular entre os simbiontes aos fitormônios envolvidos no crescimento do nódulo, passando pelo crescimento por enrolamento do pelo radicular, sem esquecer dos outros temas relacionados à fixação biológica de nitrogênio: o valor do mercado mundial de biofertilizantes fixadores de N2, a adubação verde, a fixação industrial de N2, a nitrogenase, bactérias não simbióticas e cianobactérias.
Com clareza, suavidade e ilustrações realísticas, os agrônomos apresentam uma das obras mais eloquentes sobre a fixação biológica de nitrogênio, onde todos os mecanismos são ilustrados, desde os microfilamentos de actina até as diferenças histológicas dos dois tipos de nódulos. É um texto original e crítico, destinado a todos os leitores dispostos a sonhar com um futuro mais sustentável.