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Tiestes - Sêneca - Livraria da Vila
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Tiestes - Sêneca

Sêneca

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Lúcio Aneu SÊNECA, nascido no século I AEC, viveu sob os cinco primeiros imperadores de Roma, pertencentes à chamada dinastia júlio-claudiana (Augusto, Tibério, Calígula, Cláudio e Nero). É singular sua trajetória, tanto biográfica, quanto literária: na juventude, um “auto-exílio” no Egito talvez por cerca de dez anos; na maturidade, já como senador, o exílio na ilha de Córsega, por quase oito anos. Teria sofrido, além disso, três condenações à morte, sob Calígula, Cláudio e, por fim, Nero. Como escritor, foi o mais prestigiado em sua época, com a produção de uma obra notável pelo número e pela variedade de gêneros: discursos oratórios, prosa filosófica e poesia. Entre as obras poéticas, são-lhe atribuídas oito tragédias, das quais se estima que uma das últimas teria sido Tiestes. Escrito por volta de 62 EC, o Tiestes aborda um dos mitos mais emblemáticos do gênero trágico, com várias versões gregas, de Sófocles e Eurípides, entre outros, e romanas, desde Ênio e Ácio até autores do início da época imperial. No entanto, o Tiestes de Sêneca é a única peça sobre esse mito que nos chegou da Antiguidade. O elemento central do enredo é a famosa cena Thyestae, a ceia da vingança, fartamente retratada na versão senequiana mediante a combinação de recursos dramáticos e narrativos, com intensos efeitos visuais, rítmicos e sonoros. Como detectado pela crítica, conexões com aspectos da realidade romana contemporânea, ante o colapso de uma dinastia, são perceptíveis. Porém, atributo reconhecidamente característico da obra remanescente do autor, também a aspectos da atualidade podem ser associadas as imagens e situações representadas nesse drama. Tradução de José Eduardo dos Santos Lohner, professor de Língua e Literatura Latina na Universidade de São Paulo (USP)