Em A que horas meus pais chegam?, Ana Carolina Neves e Renata Lourenço desenham com delicadeza e precisão dois retratos de infância que, embora distintos, se espelham. Em um apartamento na cidade grande, uma criança observa a rua lá embaixo enquanto aguarda os pais voltarem do trabalho. Longe dali, no alto de um morro, outra criança espera pela mãe. São mundos diferentes, separados por distâncias sociais e urbanas, mas aproximados pela mesma experiência: o tempo que se alonga, os sons que anunciam o entardecer, os cheiros que preenchem o ar e cada ruído ouvido como promessa de reencontro. Um livro sobre a espera — e sobre o que a vida revela nesse intervalo entre o que falta e o que chega.