O Queixada encontrou uma bola de couro oficial da Copa perdida na mata e, com o Quati e os outros bichos, pretendia jogar uma partida de futebol. Mas estava com tanto ciúme do novo brinquedo, que começou a inventar regras para não ter que dividi-lo. Assim, um a um, foi excluindo todos que tinham se reunido para a partida, com as desculpas mais esfarrapadas. Por fim, foi-se embora com a sua bola.
O Quati, que no começo até estava apoiando o Queixada, foi se arrependendo ao longo do tempo, conforme os amigos iam sendo dispensados. No final, sozinho e triste, ouviu uma algazarra e, indo na direção do som se deparou com todos os bichos jogando com uma bola de látex. A reviravolta se dá quando, em vez de ser excluído, como o Queixada havia feito com os demais, o Quati é convidado a apitar o jogo. A reação dos animais surpreende, pois eles agem de maneira diferente, sem se vingar, mas acolhendo aquele que os excluiu, demonstrando o mérito de reconhecer os erros e as injustiças e, nesse caso, oferecer e receber o perdão.
Sem didatismo, mas com humor, a obra aborda uma realidade bastante comum entre crianças que praticam e sofrem bullying: geralmente as humilhações se devem às características físicas, habilidades e deficiências. Neste caso, a obra mostra como o aliado de quem pratica o bullying é manipulado e se torna, ele próprio, também uma vítima. Também trata de uma questão importante para a sociabilidade das crianças, sobretudo as pequenas: aprender a compartilhar e cooperar. Num nível mais amplo, examina temas importantíssimos, especialmente no momento histórico que vivemos, em que posse é sinônimo de poder, intolerâncias e discriminações “criadas” pela sociedade, bobagens usadas em nome dessas duas instâncias, e de como isso, na verdade, leva ao isolamento. Ressalta a importância e a valorização da diversidade, como os talentos individuais podem ser úteis quando compartilhados e usados de forma cooperativa.