Entre cowboys e crocodilos, disfarçado na velocidade dos poemas de "Armação de guerra", está o tempo de amanho da escrita de Manoella Valadares. São vozes do campo, das ruas e dos livros encarnando personagens que tiram leite, viajam e fazem poesia. As sílabas saltam em meio aos ruídos: o engenhoso vocabulário da autora nos guia a um grau de precisão entre o silêncio e o excesso, o tempo aberto e o fechado. Neste jogo perigoso, estendem-se as intimidades, as ameaças do mundo e a vida singular dos animais. A armação, além do fogo e do ferro, diz também sobre algo que se monta e se arranja no corpo, no céu e no pasto.