Neste estudo sobre “O nascimento da tragédia no espírito da música” (1872), de Friedrich Nietzsche, Abah Andrade enfatiza a crítica nietzscheana à modernidade, a partir da qual desenvolve a tese do primado da poesia sobre os demais saberes. Esse primado permite reconduzir o pensamento filosófico à unidade original de onde brotam os diferentes saberes e, desse encontro com a origem, pode surgir uma nova forma de religiosidade. Nietzsche aparece, então, não apenas como um crítico da religião, mas como o fundador de uma nova forma de religiosidade, em que o espaço da festa, tão presente na realidade popular, desafia a cultura alexandrina que, ainda hoje, marca o cristianismo.