O TEMPO NA E DA POLÍTICA EM MACARANI - BA
A história de Macarani, munícipio localizado no Centro-Sul da Bahia, distante cerca de 600 quilômetros de Salvador, é marcada por demasiadas camadas. A sua região já esteve vinculada, administrativamente, à Vitória da Conquista, de onde fora emancipado outro munícipio, em 1922, nomeado Encruzilhada. Macarani, que passou a ser distrito deste novo munícipio, também não tardou a adquirir a sua autonomia administrativa: ao se emancipar de Encruzilhada, fora alçado à condição de munícipio, algo que ocorreu em 1944. Desde então, sob esta nova condição, o povo macaraniense vem inventando e reinventando os rumos de sua política local.
Gabriel Ferraz é originário desta terra e, tal como um inquieto desbravador de suas vicissitudes relacionais, teve o ímpeto de direcionar a sua formação acadêmica a fim de compreender a complexidade de certos processos que lhe transpareciam ser familiares. O autor desde cedo não apenas acompanhava, mas também participava ativamente do tempo da política de Macarani. Aproveitando-se desta condição, ainda em sua graduação em Ciências Sociais, realizada na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes-MG), teve a proeza de investigar uma nova conjuntura política que se estabeleceu no município a partir de 2002, momento em que Luís Inácio Lula da Silva (PT) assumiu, pela primeira vez, a condição de presidente da república. Um fato em nível nacional, porém com reflexos em nível local – a ponto de embaralhar a hegemonia outrora consolidada pelas redes políticas de Antônio Carlos Magalhães na região.
Macarani, deste modo, passou a lidar neste novo século com os efeitos de dois fenômenos que aparentemente concorriam entre si, quais sejam, o carlismo em sua decadência, e o lulismo em sua ascensão. A decadência e a ascensão destes diferentes fenômenos não implicavam, todavia, numa clareza tampouco numa previsibilidade quando se tratava de eleições no município. Havia nuances decorrentes das controvérsias que permeavam a produção de redes entre diferentes atores com interesses segmentados. Gabriel Ferraz, enquanto exímio pesquisador, fez uma imersão detida no cotidiano citadino macaraniense para coletar dados com vistas a revelar uma profundidade cara ao fazer política num munícipio com menos de 20 mil habitantes.
Após finalizar seu trabalho de conclusão de curso, o autor passou a enfrentar outras inquietações decorrentes da emergência de um novo fenômeno na política nacional: o bolsonarismo. Q