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Tocata e Fuga e Quatro Vozes - Livraria da Vila
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Tocata e Fuga e Quatro Vozes

Menalton Braff

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Estranheza. É a sensação que invade o universo do leitor ao iniciar a leitura deste livro. Não é para menos. Trata-se de um quebra-cabeça, um puzzle em que as peças vão, harmoniosamente, encaixando-se à medida que a trama evolui. E Braff é mestre nisso porque agarra o leitor pela manga e não solta – até o final. Tocata e fuga a quatro vozes é um romance experimental, que se estrutura na técnica do contraponto (assemelha-se a Contraponto, do inglês Aldous Huxley (1928) e Caminhos cruzados (1935), do nosso Erico Verissimo.  O livro é fruto (ou foi inspirado) de diversas palestras/conversas que o autor têm feito há vários anos a pedido da FUNAP (Fundação de Amparo ao Preso). Pouca gente sabe, mas o sistema prisional de SP mantém, por meio dessa fundação, boas bibliotecas dentro de várias penitenciárias. O detento participa do clube de leitura se quiser - e muitos querem - e tem sua pena reduzida a cada livro que lê. E não há enganação, segundo Braff, que tem vários livros à disposição em todas essas bibliotecas. Então essa experiência ficcionalizada resultou no Tocata e fuga a quatro vozes. Na música, Bach foi o genial criador da fuga, estilo de composição polifônica e imitativa de um tema principal repetido por outras vozes que entram sucessivamente e continuam de maneira entrelaçada. No romance, quatro personagens (um advogado, um diretor de presídio, um detento e a mãe deste detento) contam simultaneamente suas histórias, até que suas vozes se entretecem no final.   Nesse sentido a narrativa circula sugerindo a reflexão: é possível recuperar um ser humano contraventor? Há alguma maneira de alguém se redimir de sua culpa ou atos indesejáveis? A Arte salva?