Todos estão, necessariamente, no mundo. Mas quem são todos? O que é necessariamente? Onde está o mundo? Na reaparição de Sabedoria do nunca, de Juliano Garcia Pessanha, a aventura dessas perguntas retorna ao se reinstalar no presente a cada vez e de novo. Seria possível nascer e não chegar ao mundo? Sair da barriga de uma mãe, mas permanecer zanzando numa zona pré-natal, surdo ao mandato para ir ao encontro do mundo? Quem seriam esses guardiões do impossível, esses grevistas recalcitrantes? E por que insistiriam eles em não advir e não aderir ao sentido? Essas são as perguntas colocadas pelas personagens Z e K deste Sabedoria do nunca. Se Z faz o esforço de se autoparir, K desiste de vez de chegar ao mundo. Ambas apontam para a questão da impossibilidade de existir. Essa impossibilidade de vir ao mundo delata uma ausência de qualquer interpelação certeira por parte de um outro ou apenas revela a lucidez de quem sabe não valer a pena adentrar e fazer parte dessa devastadora nuvem de gafanhotos? A meditação em torno da figura do não-nascido constitui o núcleo da obra e ela é resultado do diálogo do autor com as obras de Kafka, Pessoa e Heidegger. Tal meditação sobre a exclusão enseja as perguntas: o que é encontrar um ser humano? Seria o não-nascido o nunca encontrado?