O primeiro programa brasileiro relacionado com o livro didático já tem quase a provecta idade de 90 anos, sendo que a sua atual versão (Programa Nacional do Livro e do Material Didático – PNLD) faz 40 anos em 2026. No entanto, apesar dessa longevidade, os livros didáticos do Brasil ainda estão longe da perfeição. O que no mínimo deverá gerar alguma curiosidade, pois o ponto de partida em 1938 parece-nos, hoje em dia, que era bem promissor. Neste livro, é descrita e analisada a coleção de Livros de Leitura de Felisberto de Carvalho, de 1982, que revelou possuir boas características para ser usado como material efetivo de alfabetização. Aqui também são explorados o passado e o presente dos programas brasileiros do livro didático, descrevendo os que anteciparam o PNLD e como esse programa se apresenta atualmente. Na parte mais controversa deste livro, explora-se como a má ciência, as editoras, os escritores e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) impactam a concepção dos livros didáticos e, desse modo, os aprendizados das sucessivas gerações de estudantes. Mas também são apresentadas algumas pistas para limitar esses impactos. Por fim, em memória do recentemente falecido professor Orley José da Silva, educador e polemista com fortes convicções cristãs e conservadoras, são apresentadas as suas ideias sobre a forma como a família tradicional e o gênero são tratados nos livros didáticos de algumas disciplinas, que, sofrendo forte contaminação ideológica, estigmatizam a imagem da família tradicional e romantizam a ideia de gênero.