Por muito tempo, os adeptos do realismo científico têm utilizado a inferência da melhor explicação para justificar a seleção de teorias científicas como aproximadamente verdadeiras, com base em determinados valores cognitivos. Entretanto, para sustentar essa leitura progressivista do desenvolvimento histórico da ciência, torna-se necessário assumir uma hierarquia de valores capaz de determinar qual deles deve prevalecer em caso de conflito. Neste livro, examino se uma hierarquia realista encontra respaldo na prática científica, a partir do estudo de caso da controvérsia entre Louis Pasteur e Antoine Béchamp acerca da causa das doenças infecciosas no final do século XIX. Com base nessa análise histórica, avalio a eficácia do modelo da inferência da melhor explicação e seu uso pelos realistas.