Um amigo perguntou:
— Seu livro é sobre o quê?
— Não sei.
Respondi no calor da dúvida. No conforto do não-saber. Na perspectiva de inúmeras possibilidades.
Um livro pode ser sobre muitas coisas. Sobre pessoas. Sobre quem escreve. Sobre quem lê.
Por isso, este livro é sobre mim, sobre você, sobre vida rural, infância, paixão. Sobre nascer, padecer, crescer. Sobre amizade,
encontros, amores perdidos, amores conquistados.
Sem pretensão de enquadre adoto uma linguagem poética para escrever memórias, lembranças, fluxos. Sentimentos e emoções acordados no silêncio, na contemplação, no ser e estar no mundo.
Sobretudo, este livro é um presente que me ofereço quando o meu corpo e o conjunto de experiências de vida estarão, nesse ano de 2026, completando setenta e cinco anos. A alma? Essa... essa não tem idade.
“A poesia, com efeito, é a obra da linguagem.
Ora, a linguagem não é um simples instrumento de comunicação. Em sua essência, a linguagem abre o espaço do Ser que os entes vão ocupar e onde podem, portanto, reencontrar-se o vazio e o silêncio. (...) ...pensar é poetizar.”
(Jean Lacoste)