Por que a ciência produzida em certos lugares é tratada como relevante e o de outros é ignorada, mesmo quando a qualidade da pesquisa é equivalente?
Como se estabelece o que é relevante ou irrelevante na ciência? Por que determinados pesquisadores, instituições e conhecimentos ocupam posições de prestígio, enquanto outros permanecem à margem?
Em A Hierarquização da Ciência: estudo sobre a construção da irrelevância científica, Fabrício Neves propõe uma teoria sobre como a ciência se organiza em centros "de excelência" e periferias "sem importância".
Partindo de uma análise que articula dimensões materiais e simbólicas da atividade científica, o autor discute o papel de valores, expectativas, infraestrutura, financiamento e dinâmicas de atenção na constituição das diferenças entre o que é reconhecido como centro e periferia da ciência. Em vez de compreender essas posições apenas como determinações geográficas ou estruturas fixas, a obra investiga como elas são produzidas nas práticas, escolhas e percepções dos próprios agentes científicos.