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Donos do Orvalho - Livraria da Vila
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Donos do Orvalho

Jacques Roumain
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A publicação desta edição de Donos do orvalho resgata uma obra-prima da literatura social e de resistência cultural do Caribe, escrita pelo influente intelectual e ativista haitiano Jacques Roumain. O romance aborda com profunda sensibilidade humana e política a organização camponesa, a luta pela terra e pela água e a solidariedade comunitária frente à exploração e à tragédia da seca. A edição da Expressão Popular aprimora a tradução brasileira de 1945 preservando o cuidado linguístico de Roumain, que combinou o francês e o crioulo haitiano numa sintaxe poética para superar a diglossia colonial e dar voz autêntica ao povo.   Após passar 15 anos trabalhando no duro corte de cana-de-açúcar em Cuba, o camponês Manuel Jean-Joseph retorna à sua terra natal, o vilarejo de Fonds-Rouge, no Haiti. Ao chegar, ele encontra sua comunidade devastada por uma seca catastrófica que destruiu as colheitas e mergulhou as famílias na fome. Somada à degradação ambiental provocada pelo desmatamento, a aldeia está profundamente dividida por um ódio fratricida e sangrento entre duas famílias rivais, originado em uma antiga disputa de terras. Munido de consciência política e solidariedade de classe experimentadas nas lutas contra os latifundiários cubanos, Manuel decide buscar uma solução prática para a tragédia da comunidade. Ele percorre incansavelmente os morros até descobrir uma abundante nascente de água oculta sob uma figueira gigante. Manuel compreende, contudo, que construir o canal de irrigação necessário para levar a água até a planície exige o esforço coletivo de todos os camponeses por meio de um grande mutirão. Para viabilizar a salvação do vilarejo, Manuel aproxima-se de Annaïse, uma jovem corajosa pertencente à família rival, com quem estabelece uma relação de amor, confiança e aliança política. Juntos, eles iniciam um delicado trabalho de conscientização entre os trabalhadores locais e suas famílias, sob a perspectiva de que o interesse dos vivos, a união comunitária e o trabalho fraterno devem se sobrepor ao rancor dos mortos e à miséria.   “Uma árvore é feita para viver em paz, com a luz do dia e a amizade do sol, do vento, da chuva. Suas raízes se afundam na fermentação gorda da terra, aspirando os sucos elementares, os sumos fortificantes. Parece sempre perdida num grande sonho tranquilo. A ascensão latente da seiva a faz gemer nas tardes quentes. É um sonho vivo que conhece o curso das nuvens e pressente as tormentas, pois está cheia de ninhos de páss